Hoje, sem razão conhecida, veio-me à memória um excerto do filme "La Haine", do realizador Mathieu Kassovits. Passados mais de 10 anos, ainda sou capaz de me recordar das palavras exactas, da frase que sintetiza o filme: "Jusqu'ici tu va bien. Mais l'importante, c'est pas la chute. C'est la aterrissage."
Talvez a tenha repetido constantemente para mim própria e em surdina este tempo todo. Digo-o porque tenho muita dificuldade em recordar o que quer que seja, à excepção destas memórias expontâneas, incontroladas e muita informação inútil. Mas a frase voltou assim como outras memórias do passado: momentos, músicas, frases, sensações...
Talvez seja da idade, da dificuldade em perspectivar o futuro, ou simplesmente preguiça. Talvez ter acesso facilitado a informação, que na esmagadora maioria é desinteressante, apática e dificulta o acesso a alternativas (livros, filmes, música...), quase sempre mais caras e longínquas, me obrigue a ser inventiva e a reciclar o passado.
Que assim seja. Dois passos para trás e um para a frente, tudo ensaiado como se fosse a primeira vez, é o meu projecto-memória para este fim de semana.
Faço parte do "International Drawing Project" organizado pelo Craig Atkinson editor da Royal Café Books. Os desenhos serão impressos e compiladados num catálogo durante a primeira sessão do IDP, no próximo dia 13 de Fevereiro.
Os portugueses que me fazem companhia, neste e nos outros catálogos do evento, são o Pedro Lourenço, Carlos Alves, André Lemos e Vitorino Santos.